sábado, 28 de Novembro de 2009

Fonte Luminosa - Lenda do rio Lis e Lena - Leiria - Portugal

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. Fonte Luminosa de Leiria - O Lis e o Lena

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Reza a lenda, que o rio Lis e o seu afluente rio Lena, se perderam de amores, e que um dia... à saída da cidade, onde os dois se juntam, celebraram casamento para unirem seu amor... num só rio.

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Para eternizar este amor, da mais conhecida e popular lenda da cidade, Leiria inaugura a 22 de Maio de 1973, a sua Fonte Luminosa, donde ressalta um conjunto escultórico com traços helenísticos da autoria do Mestre escultor Lagoa Henriques, alusivo à fertilidade das terras Leirienses, ao bucolismo pastoril de tempos antigos, e do romançoso descanso à sombra dos arvoredos que ladeiam as margens destes dois rios - a sintetização de um amor devoto... pela terra que os viu nascer...

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Texto e fotografia: Walter

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Lenda do rio Lis e Lena
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Nasceu o rio Lis junto a uma serra
No mesmo dia em que nasceu o Lena;
Mas com muita Paixão, muita Pena
De seu berço não ser na mesma Terra
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Andando, andando alegres, murmurantes,
Na mesma direcção ambos corriam;
Neles bebendo, as aves chilreantes
Cantavam esse amor que ambos sentiam
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Um dia já espigados, já crescidos
Contrataram casar, de amor perdidos
Num domingo, em Leiria de mansinho...
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Mas Lena, assim a modo envergonhada
Do povo, foi casar toda enfeitada
Com o Lis mais abaixo um bocadinho
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MARQUES DA CRUZ
1888 - 1954
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domingo, 22 de Novembro de 2009

Uma terra nua, fria e crua... inventada por mim... (?)

Acrílico s/tela - Título: Uma terra nua, fria e crua... inventada por mim... (?) - Autor: Walter
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Outrora uma terra farta... embalada pelo canto dos pássaros e das águas cristalinas...
Havia risos de crianças - ecos de vida - voando por entre os arvoredos...
Tantas eram as almas povoando aqueles dias... felizes como o rio que ali corria...
Muito era o leite materno multiplicando a vida...
Nos seus montes, o mel que das colmeias escorria, a terra alimentava, tornando-a mais doce... seiva dourada, sangue pulsante de vida...
Mas... certo dia, de mansinho, a ganância aqui se fez representar, toda vestida a jeito... ardilmente disfarçada de largos e bondosos sorrisos, e mil promessas aqui deixou...
E enquanto a terra adormecia, sonhando sonhos nunca antes sonhados, sobre o travesseiro da inocência... a terra era esventrada, e dela sugada toda a água - o néctar da vida.
Para lá dos longínquos horizontes a levaram, com a pressa necessária à engorda de outros caudais - felizes eram agora, outras distantes sociedades... modernas.
Acordam as almas desta terra... que traídas se vendo, em desalento foram partindo envergonhadas... e outras, as mais cansadas, na solidão de quatro paredes ficaram resguardadas, desdobrando-se em rogadas preces e penitências... com olhares clementes postos, na sobranceira ermida, onde a Santa habitava.
E lentamente a terra foi definhando, mostrando toda a sua desolada e cáustica nudez.
Nesta terra... nua, fria e crua, onde todo o leite materno já secou, apenas o silêncio e uma perturbadora pálida luz a vestem...
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Talvez um dia aqui volte... a esta terra magoada, com uma paleta de vibrantes verdes de esperança, e oceânicos azuis... para encher de cor esta tela, onde a vida já não está desenhada...
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Texto e fotografia: Walter
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domingo, 15 de Novembro de 2009

Há tanta vida neste cais...! ( Sesimbra - Portugal )

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Quando a noite já for alta, acesa pelas candeias do céu, e o mar um lençol de prata... vão os barcos em procissão, com o Senhor Jesus das chagas na frente, rasgando as águas do sustento...
Muito mar haverá para vencer, muitos braços hão-de doer... e em terra, todos os Santos serão chamados, todas as esperanças ao mar serão lançadas...
Por agora, sob o sol dourado, descansam estes barcos guerreiros no cais... lado a lado com outros irmãos, que já vencidos, de ossos quebrados, de tantas lutas ao mar travadas, a este não tornarão...
Mais logo, quando a noite já for alta, rudes homens em seus barcos entrarão... em cada proa a Cruz de Cristo, em cada convés os nomes inscritos, daqueles que os hão-de proteger...
Em terra são esperança que não morre, no mar-alto, com braços de ferro, são lavradores cavando o oceano do sustento...
E quando a terra tornarem, de porões cheios de trigo maduro, explodirá este cais feito celeiro, em salgados pregões jorrados de vida...
Há tanta vida neste cais...!
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. Texto e fotografia: Walter . .

sábado, 7 de Novembro de 2009

Um bom malandro... passeando pelos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian - Lisboa (Portugal)

Estátua de Calouste Gulbenkian
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Muitos anos atrás, bastante jovem ainda, quando pela primeira vez visitei a Fundação Calouste Gulbenkian - instituição esta, fundada a partir da doação da vasta herança de objectos de arte coleccionadas durante toda a sua vida, pelo mecenas Calouste Gulbenkian, (1869-1955) - empresário de origem arménia, naturalizado inglês, e radicado em Portugal.
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Não! Nessa altura, eu nada sabia sobre Gulbenkian, sobre esta importante Fundação, que muito contribuiu para o fomento e expansão da cultura em Portugal. Também não sabia sequer da existência dos magníficos jardins que a envolvem...
Aqui vim certo dia... (meio-perdido), movido somente por uma curiosidade: conhecer as famosas jóias do mestre vidreiro e joalheiro francês René Lalique, (1860-1945) - reconhecido pelas suas criações em Art Noveau e Art Deco.
Tomei conhecimento deste fabuloso tesouro, a partir da leitura do livro, «Crónica dos Bons Malandros», do escritor e jornalista Mário Zambujal - que numa trama ficcionada, relata a história de uma quadrilha, liderada por Renato "O Pacífico", e que a dado momento é aliciada por um italiano misterioso que os desafia a roubarem as jóias de Lalique expostas no museu Gulbenkian...
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Bom! E nesse tal dia, (já distante), chegado à exposição do tão afamado tesouro... escusado será de dizer, que logo fiquei perdidamente apaixonado pelas jóias... e colado fiquei às vitrinas que as guardavam, completamente hipnotizado pelo brilho das safiras, pratas, marfins e toda a espécie de predarias preciosas. Imaginei-me até, um dos personagens do livro, (um bom malandro), estudando a melhor forma de dali sair com uma "pequena recordação". Mas... acho que não estava no melhor dos meus dias, faltava-me a inspiração... e assim sendo, o melhor que teria a fazer, e já que nem fotos teria direito, fui saindo de mansinho, direitinho a uma outra jóia desta Fundação: os jardins da Gulbenkian, construídos nos anos sessenta, segundo projectos dos arquitectos Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Teles, sendo estes, dos mais emblemáticos do movimento moderno em Portugal e uma referência para a arquitectura paisagística portuguesa.
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Desde essa época, passei a visitar estes jardins, sempre que me é possível, nas vindas a Lisboa, elegendo-os, como um dos meus locais favoritos da Capital - jóia rara- no coração da cidade, cheia de belos recantos refrescantes, que se escondem uns dos outros, e que nos convidam à introspecção, ao relaxamento do corpo e da mente...
E é neste éden, feito de percursos quase secretos, ladeados de espessa vegetação, árvores frondosas e pequenos riachos murmurantes que podemos observar e escutar o chilrear de algumas espécies de aves silvestres, como o periquito-de-colar, a toutinegra-de-barrete-preto, o melro, o pardal ou o verdilhão...
Na densa vegetação e junto aos percursos de água, podem ainda ser vistas, as tímidas galinhas d'água, sendo este um dos melhores locais de Lisboa para a sua observação.
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E já que o "bom malandro", não tem fotos das jóias de Lalique para mostrar, deixo-vos com as imagens das não menos valiosas jóias que encontrei nestes paradisíacos jardins da Gulbenkian, e que mais uma vez visitei, alguns dias atrás... estou tentado até, em dizer, que a mais rara (para mim), tenha sido um pé de azevinho, que vislumbrei entre a densa vegetação - ao que consta esta espécie de arbusto, de nome cientifico, (ilex aquifolium), encontra-se em vias de extinção no nosso país, devido ao seu corte desenfreado a cada época natalícia, e como tal, é agora espécie protegida por lei...
A título de curiosidade, e sobretudo para aqueles que desconhecem o facto, saliento que esta é uma espécie dióica, (plantas femininas e masculinas distintas), sendo que, aquela que as pessoas cortam é a feminina, a que contém as bagas vermelhas. Desta forma ficam as masculinas, não sendo possível então a sua fecundação.
Percebi finalmente, a razão de não mais ter visto azevinho, desde os meus tempos de criança. Só por isso, já valeu a pena ter passado mais uma vez pelos jardins da Gulbenkian...
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Texto e fotos: Walter
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Todas as informações sobre a Fundação Calouste Gulbenkian em http://www.gulbenkian.pt/
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sábado, 31 de Outubro de 2009

Pão quentinho com manteiga... na casa da mamãe

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Hoje estive de visita à mamãe, honrando meu compromisso semanal. Ela mora na aldeia de Alcogulhe, a escassos klms da cidade de Leiria. Ainda bem que cheguei cedo... pois, há anos que não assistia a um daqueles momentos, que ela considera como a sua terapia - do corpo e da alma: a cozedura do pão - uma espécie de ritual mágico, quase semanal, pleno de arte, amor e alguma ciência - como gosta de frisar orgulhosamente.
Hoje não houve lugar para os queixumes das muitas dores que se lhe alastram pelo corpo, nem para o "diz-que-disse", nem para as tricas e mexericos da aldeia.
Colocou as mãos na massa, enquanto eu, e a seu pedido, ia preparando a lenha, com que ela aqueceria o forno. Ainda propus, eu mesmo acender a fogueira, mas ela, sabendo bem da minha inaptidão para estas coisas, recusou categoricamente - « Não, não... isso é comigo, deixo-te apenas retirar o pão do forno... »
Pão a pão, tendidos na tigela, estendia-os na pá enfarinhada, fazendo-os entrar no forno quente, com perícia e precisão... e eu ali fiquei, ouvindo todos os detalhes do processo, enquanto deitava o olhar ao alourar do pão...
Entretanto, o pão cheiroso e estaladiço, estava pronto a ser retirado, e tal como me tinha prometido, lá fui retirando do forno, (meio nervoso), os pães... mas sempre com reparos e indicações.
Fiquei satisfeito por não ter deixado cair nenhum ao chão, e a minha mãe deve ter respirado de alívio...
Setenta e cinco anos de idade, tem a mamãe Laurinda, recheados de muitas alegrias, algumas tristezas e muitas fornadas de pão...
Escusado será de dizer, que o meu almoço, se ficou por um bom naco de pão quentinho e estaladiço com manteiga a derreter na boca.
Estava na hora de regressar a Leiria, e na mochila já todos adivinharam o que a mamãe lá colocou...
Pois... deixei-vos com água na boca, não foi?
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Texto e fotografia: Walter

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Sesimbra... do nascer ao pôr-do-sol - (Portugal)

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Até já... Sesimbra...!
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Conheces-me bem Sesimbra... sabes da minha fidelidade...!
A ti retorno vezes sem conta, e não importa, que às vezes, somente seja, apenas por um dia...
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Sou teu caminheiro, pastor peregrino, nas serras e montes que te enfeitam o mar...
Tens-me cativo no mais alto dos teus promontórios... libertas-me... dás-me alma e asas de gaivota e eu voo...
Destemido, elevo-me sobre a tua baía, e em círculos dançantes, vou espreitando a tua vida... feita de Glória e tanta dor...
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Do alto do meu promontório, abro minhas asas sem fim... abraço-te junto ao peito, e beijo teu rosto moreno pingado de pérolas de sal.
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Gosto de ti moura encantada, e de ti nunca me despeço... será sempre um ATÉ JÁ... Sesimbra!
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Texto e fotografia: Walter

domingo, 25 de Outubro de 2009

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sábado, 17 de Outubro de 2009

A arca dos meus pequenos tesouros

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Acho que não me agrada a expressão: «baú das minhas memórias» - talvez, a associe (erradamente), a mofo, a naftalina, - pedaços de Tempo apodrecidos - histórias de vidas que já não respiram...
Eu prefiro chamar-lhe, «arca dos meus pequenos tesouros». Tenho uma, e agrada-me que não cheire a mofo e naftalina - talvez porque, o(s) pedaço(s) de Tempo(s) que ali guardo, cubram apenas o seu fundo, ou ainda, porque tristezas ali não hajam, somente alegrias...
Mas... sinceramente, não tenho pressa nenhuma... de a ver cheia.
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Na arca dos meus pequenos tesouros, não há ouros, nem pratarias, há cartas, muitas cartas... onde a palavra saudade é infinitamente repetida, que em barcos de papel, muito mar navegaram, até às minhas mãos aportarem...
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Gosto de pedir licença ao Tempo, que em minha arca habita, que me empreste, apenas por breves instantes, todos os beijos ainda molhados, todos os sonhos, todos os rostos iluminados, todas as terras que já vi, todos os abraços muito muito apertados...
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De Tempos-a-Tempos, sabe-me bem, acariciar as , (ainda), ténues rugas da pele do meu Tempo...
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Texto e fotografia: Walter

domingo, 11 de Outubro de 2009

A poesia... na pedra lavrada - Leiria - Portugal

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Detalhes...
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Mil vezes passamos... na mesma rua, praça, jardim... achando que tudo já conhecemos, nada mais havendo para descobrir...
Olhamos e retemos a globalidade das coisas. Teimamos em não perder tempo com os detalhes...
Mas eles estão lá... em toda a sua beleza etérea... reclamando um olhar mais atento, um pouco mais detalhado - fazendo parte de um todo - detalhes pensados, (célula a célula), talhados a golpes de cinzel, pelos pulsos vigorosos de artífices, que na pedra deixaram lavrados, (com alma), capítulos da História - marcas de um tempo - ou simplesmente poesia... para os nossos olhos.
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Texto e fotografia: Walter

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

CORTES ... Aldeia da poesia - (Leiria - Portugal)

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Cortes... na barca da poesia
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- Uma noite destas sonhava... que percorria montado em minha bicicleta, uma estrada, que se esforçava por acompanhar as curvas de um rio... - - - Que rio seria este, que corria para norte... ?
A espessa névoa que o envolvia, escondia o arvoredo que ladeava as suas margens, dissipando-se nas encostas, deixando ver, pontualmente, alguns trechos de vinhedos e pomares levemente iluminados por um sol preguiçoso.
A dado momento, a estrada quase toca o rio... a próximidade, permite-me agora, escutar o sussurro das águas - cantar belo e doce, ritmado com mais intensidade nas descidas mais acentuadas do seu percurso. O Sol começara a espreguiçar-se... e uma luz dourada, deixa a descoberto toda a beleza daquela (desconhecida) paisagem rural.
A "companheira", encostada a uma velha oliveira, esperava por mim..., pois que esperasse - o sonho era meu, e não saíria dele, sem que soubesse, que bucólico rio era aquele...? Que poetas o cantaram?
Ouço o repicar de sinos, e desviando o olhar, descubro o campanário de uma igreja no alto de uma encosta. Vem a melodia dos seus sinos, juntar-se ao gargalhar das águas do rio. Baixo o olhar - surpreendido- (e porque no sonhar tudo é possivel...), vejo uma barca descendo o rio, carregada de gente: eram os poetas do rio, (poetas de outros tempos...), recitando ao rio...
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A poesia, o repicar dos sinos, o gargalhar das águas... inundavam os meus sentidos. Não!!! Não posso acordar agora! Quem eram os poetas?
Mas... estranhamente, a barca se ía dissolvendo em névoas, enquanto os "passageiros da poesia", desciam para as margens do rio, desaparecendo por entre o arvoredo...
Tentava reconhecer-lhes os rostos, quando o último, a descer da barca, me olhou, acenando-me com o seu caderninho ensopado de poesia, me disse: « Olá amigo, sou o Afonso Lopes Vieira ».
Escorria a poesia para o rio em pingos de tinta azul... apertava-se-me a garganta, cegava-se-me o olhar... e o nobre poeta mais não vi..., mas que importa? Ele havia-me dado com seu gentil cumprimento a resposta que eu tanto queria.
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Sim!!! Eu estava na aldeia das Cortes, bem perto do lugar das Fontes, onde nasce o rio, e que agora, eu sabia, ser o Lis.
Apresso-me para encontrar a minha "companheira", que sonolenta, lá permanecia à sombra da velha oliveira - «vamos amiga, leva-me à aldeia, quero ouvir o "chôro da nora", tirando água com seus alcatruzes...».
Ali chegado, fiquei à escuta do ritmo compassado do seu chôro, mergulhado em pensamentos: « talvez na barca da poesia, viajassem também, o José Marques da Cruz, o Rodrigues Cordeiro e tantos outros... que enobreceram com a sua poesia, a beleza do rio, das Cortes, das Fontes...».
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Cortam-me o pensamento, duas velhinhas, que fitando-me nos olhos, me apontam a rua que sobe até à igreja - « Olhe que não se vá, sem ver a igreja de Nossa Senhora da Gaiola...! ». E antes que, alguma coisa eu pronunciasse, já elas se aproximavam, falando ao mesmo tempo, da lenda de duas pastoras, que tendo encontrado num tronco de árvore, uma imagem de Nossa Senhora, e felizes por esse achado, trataram de Lhe construir uma pequena cabana feita de ramos de várias árvores, onde a começaram a venerar. A cabana mais parecia uma gaiola, nome pelo qual, a Virgem passou a ser venerada...
- « É a Padroeira desta terra, meu rapaz...! No primeiro Domingo do mês de Maio, fazemos-Lhe a festa. Apareça por cá...! ».
Em silêncio tudo fui ouvindo, (apesar de já conhecer a dita lenda), e ía para lhes dizer isso mesmo, e ... tal como a "barca da poesia", as velhinhas desapareceram numa névoa repentina.
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« Não! Ainda não está na hora de acordar! Quero ir às Fontes, o berço do rio, e depois subir ao miradouro serrano da Senhora do Monte...». E foi para lá, que a "companheira" me levou, depois de um breve passeio à nascente, porque o (tempo de sonhar...) voava, e eu já lhe tinha perdido a noção...
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Chego exausto, pelo cansaço da subida. Encosto a "companheira" ao alpendre da quinhentista ermida da Senhora do Monte, e apresso-me a procurar com o olhar, na longínqua linha do horizonte um pedaço de mar... lá estava ele, um risco de prata separando a terra, do céu...
Ali, deitado sobre o muro que delimita o miradouro, vou ficando... até, que aquele risco de mar prateado, (longínquo), em ouro ficou, pelo sol que já se lhe encostara. Adormeço...
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Abruptamente, e sem ter a noção do tempo decorrido, desde que ali chegara, acordo... pelo chocalhar de um frenético rebanho, que subia a encosta, guiado por duas velhinhas pastoras, que me avistando, logo foram dizendo ao mesmo tempo: « Acorde meu rapaz! Olhe que o sol à muito que nasceu... não vai para casa? ».
Tentei reconhecer-lhes os rostos, mas... súbitamente desapareceram.... na claridade que já inundava o meu quarto. Desligo o "chocalhar" do despertador, e com olhos inchados, semi-abertos, procuro a "companheira", atrás da porta do quarto. Lá estava ela... sonolenta, cansada de tanto rodar, e se falasse, dir-me-ía: « Vamos rapaz, levanta-te... não queres ir até às Cortes...? ».
E lá fomos...
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Texto e fotografia: Walter
Nota: Cortes (pronuncia-se Córtes)

sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Outono em Leiria... (Portugal)

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Bem - vindos ao Outono... em Leiria
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Hoje dia 2 de Outubro, aproveitando o resto de umas curtas férias, peguei na minha bicicleta, e pedalando fui ver por onde andava o Outono, que por estes dias, já havia chegado à cidade.
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Junto às margens do rio Lis, lá estava ele... todo atarefado, a pintar com tons de ouro, cobre e terra queimada as altas copas dos plátanos... para depois, soprar com brisas frescas as suas pétalas, que se desprendiam para o meu caminho dourarem...
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Obrigado Velho amigo, é sempre bom ter-te de volta!
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Texto e fotografia: Walter

Video - Cantilena do rio Lis

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quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

ALCOGULHE - Paisagens da minha infância.... (Portugal)

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Aldeia de Alcogulhe
Nesta pacata localidade, a 7 klms. da cidade de Leiria, e pertencendo à freguesia de Azoia, vivi toda a minha infância e parte da juventude.
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Hoje, lhe presto singela homenagem através do registo de imagens que ficaram perpectuadas na minha memória, com a convicção plena, de um dia, aqui, ter sido uma criança feliz... são as paisagens da minha infância...
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A minha curiosidade sobre sua origem, infelizmente, até hoje, não foi totalmente satisfeita, apenas poderei suspeitar que terá origem árabe, pois o topónimo (Al)cogulhe, assim o denuncía, no entanto não passa de uma hipótese.
Curiosamente, semanas atrás, tentava pesquisar sobre seu único edifício religioso - a Capela de Santo António de Alcogulhe, mandada erigir por Jacome Leite no ano de 1785, quando me deparo com algo, que até então, desconhecia de todo, e que me remeteu para uma dúvida que sempre tivera na cabeça, e que se prende com o facto de sempre ter ouvido dizer aos velhos da aldeia, que outrora, Alcogulhe, já ter tido o estatuto de freguesia. Verdade ou mentira, não sei...contudo, a informação encontrada, pode eventualmente apontar para um explicação razoável: as invasões francesas, comandadas por Napoleão, à semelhança do que aconteceu um pouco por todo o país, aqui também deixaram as suas marcas de destruição e sofrimento nas populações. A igreja matriz da freguesia de Azoia, à qual Alcogulhe pertence, foi pilhada, vandalizada e convertida em estábulo. Após a fuga dos invasores, a igreja entrou em processo de reconstrução, e foi justamente nesse período, que a Capela de Alcogulhe, passou a realizar todos os casamentos da freguesia, ficando os báptismos a cargo da freguesia vizinha de Parceiros.
Perante estas evidências, naturalmente, uma acrescida importância foi dada à localidade de Alcogulhe e à Capela de Santo António pela partilha de cerimónias religiosas, até a igreja matriz de Azoia estar pronta para receber novamente os ofícios religiosos, o que aconteceu em 1822.
Talvez deste facto, tenha surgido essa ideia de «freguesia de Alcogulhe», e que a distância de 200 anos ajudou a adensar...
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Mas se de património edificado Alcogulhe pouco tem para ver, ganha-o em beleza natural, pelas vistas que daqui se alcançam: uma vastidão de vinhedos, pomares, matas e pinhais, desfilam até ao horizonte, onde se perfilam as serras d'aire e candeeiros aguareladas pelo azul da distância...
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... E era nesta paisagem, vestida de verde e azul, que eu (menino), deitava o meu olhar extasiado e me perdia... enfeitiçado pelo azul distante das serras, imaginando o que guardariam elas em suas entranhas, e perspectivando secretos e distantes mundos para além delas...
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Texto e fotos: Walter

Alcogulhe - Paisagens da minha infância...

domingo, 27 de Setembro de 2009

" HÁ MÚSICA NA CIDADE " - ( Leiria - Portugal )

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Há música na cidade

O JORNAL DE LEIRIA, comemora 25 anos em 2009. Em tempo de celebração de Bodas de prata, é grande o fosso temporal que separa os primeiros quatro anos da publicação, tão plenas de ambição e paixão pelo jornalismo puro e duro, como de amadorismo, do título gerido com um projecto profissional onde as mais recentes tecnologias da informação estão ao dispor tanto de leitores como de jornalistas e outros profissionais.

Para assinalar esta data especial, a equipa do Jornal de Leiria planeou diversos eventos, que procuram contribuir positivamente para o enriquecimento cultural, económico e social da população:

- 11 de Julho - Maratona da Pintura.

- Agosto - Caravana de Smarts nas Praias da Região.

- 26 de Setembro - Há música na cidade.

- 26 de Novembro - Fórum Inovação e Criatividade.

(...)

Vários "palcos" espalhados pelo centro histórico da cidade de Leiria, um dia diferente, com muita animação de rua e principalmente com música para todos os gostos, desde o som de uma orquestra, passando pelo jazz, o moderno hip-hop até à música para bébés.

Um cortejo musical pelas diversas ruas da cidade, com os Kumpania Algazarra encerrou o "Há música na cidade".

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http://www.jornaldeleiria.pt/

Parabéns a todos os profissionais do Jornal de Leiria, que mais uma vez demonstraram ser um áctivo veículo de comunicação ao serviço da nossa cidade e região.

Foi bom sentir a minha cidade a ser literalmente pulverizada com notas musicais!

Walter

HÁ MÚSICA NA CIDADE - ( Vídeo Kumpania Algazarra )

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sábado, 26 de Setembro de 2009

HÁ MÚSICA NA CIDADE - 15 "palcos", 100 músicos, um cortejo, um universo de sons!