12/09/2011

O caso do artista-mistério


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"O mistério adensa-se e o artista-mistério
e os seus feitos começam a ser tema de conversa..."
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Saiba mais sobre este caso, aqui em "destaques"
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Por mim, que permaneça incógnito o artista-mistério,
porque a ser revelada a sua identidade, quebra-se parte deste encantamento,
a mensagem que se pretende deixar anonimamente,
e a acontecer, talvez não mais sejamos surpreendidos com as suas
espectaculares intervenções, que não agridem os locais onde cuidadosamente
são executadas, e não ofendem ninguém, a prová-lo está,
a pintura da menina triste com um ramo de flores, deixada na parede exterior
do cemitério da aldeia de Carvide junto a Monte Real, e que tem vindo
a emocionar as populações vizinhas.
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É simplesmente a minha opinião e vale o que vale!
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Fts: Walter
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28/08/2011

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Dá a quem tu amas: asas para voar, raízes para voltar
e motivos para ficar.
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Dalai Lama
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Caros amigos e comentadores:
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regressarei ao vosso convívio tão breve quanto possível,
até lá, deixo-vos com este pensamento de Dalai Lama.
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Um abraço e fiquem bem!
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Fts: Walter
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19/08/2011

O Tango

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O Tango
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Onde estarão? Pergunta a elegia
Sobre os que já não são, como se houvesse
Uma região onde o Ontem pudesse
Ser o Hoje, o Ainda, o Todavia.
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Onde estará (repito) esse selvagem
Que ergueu, em tortuosas azinhagas
De terra ou em perdidas plagas,
A seita do punhal e da coragem?
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Onde estarão aqueles que passaram,
Deixando à epopeia um episódio,
Uma fábula ao tempo, e que sem ódio,
Lucro ou paixão de amor se esfaquearam?
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Procuro-os na lenda, na apagada
Brasa que, como uma indecisa rosa,
Conserva dessa chusma valorosa
De Corrales e Balvanera um nada.
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Que escuras azinhagas ou que ermo
Do outro mundo habitará a dura
Sombra daquele que era sombra escura,
Muranã, essa faca de Palermo?
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E esse Iberra (tenham dele piedade
Os Santos) que na ponte de uma via,
Matou o irmão, Ñato, que devia
Mais mortes que ele, ficando em igualdade?
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Uma mitologia de punhais
No esquecimento aos poucos se desgasta.
E dispersou-se uma canção de gesta
Em sórdidas notícias policiais.
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Há outra brasa, outra candente rosa
Dos seus restos totais conservadores;
Aí estão os soberbos matadores
E o peso da adaga silenciosa.
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Embora a adaga hostil ou essa adaga,
O tempo, os dispersassem pelos lodos,
Hoje, p'ra além do tempo e da aziaga
Morte, no tango vivem eles todos.
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Na música prosseguem, na mensagem
Das cordas da viola trabalhosa,
Que tece na toada venturosa
A festa, a inocência da coragem.
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Vejo a roda amarela circular
Com leões e cavalos, oiço o eco
Desses tangos de Arolas e de Greco
Que vi bailar no meio da vereda,
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Num instante que emerge hoje isolado,
Sem antes nem depois, contra o olvido,
E que tem o sabor do que, perdido,
Perdido está mas foi recuperado.
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Os acordes conservam velhas cousas:
Ou a parreira ou o pátio ancestral.
(E por trás das paredes receosas
O Sul tem uma viola, um punhal.)
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O tango, essa rajada, diabrura,
Os trabalhosos anos desfia;
Feito de pó e tempo, o homem dura
Menos que a leviana melodia,
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Que é tempo somente. O tango cria
Um passado irreal, real embora.
Recordação que não pode ir-se embora
Morta na luta, algures na periferia.
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Jorge Luís Borges, in "Poemas Escolhidos"
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Trad. Ruy Belo
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À memória de António Fernandez, um ilustre [des]conhecido.
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Fts: Walter
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13/08/2011

Eunice Munõz diz Florbela Espanca

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VERSOS DE ORGULHO
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O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
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Porque o meu Reino fica para além...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
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O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?
-o jardim dos meus versos todo em flor...
A seara dos teus beijos, pão bendito...
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Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
-São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
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Florbela Espanca
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Fts :Walter
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05/08/2011

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As Memórias Procriam como se fossem Pessoas Vivas
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Há pequenas impressões finas como um cabelo e que, uma vez
desfeitas na nossa mente, não sabemos aonde elas nos podem
levar. Hibernam, por assim dizer, nalgum circuito da memória
e um dia saltam para fora, como se acabassem de ser recebidos.
Só que, por efeito desse período de gestação
profunda, alimentada ao calor do sangue e das aquisições da
experiência temperada de cálcio e de ferro e de nitratos, elas
aparecem já no estado adulto e prontas a procriar. Porque as
memórias procriam como se fossem pessoas vivas.
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Augustina Bessa -Luís, in "Antes do Degelo"
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Fts: Walter
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30/07/2011

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Acrílico S/tela - Autor: Walter
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A Forma Justa
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Sei que seria possível construir o mundo justo
As cidades poderiam ser claras e lavadas
Pelo canto dos espaços e das fontes
O céu o mar e a terra estão prontos
A saciar a nossa fome de terrestre
A terra onde estamos - se ninguém atraiçoasse - proporia
Cada dia a cada um a liberdade do reino
- Na concha no homem e no fruto
Se nada adoecer a própria forma é justa
E no todo se integra como palavra em verso
Sei que seria possível construir a forma justa
De uma cidade humana que fosse
Fiel à perfeição do universo
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Por isso recomeço sem cessar a partir da página em branco
E este é meu ofício de poeta para a reconstrução do mundo
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Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"
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Fts: Walter
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21/06/2011

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era uma vez um navio
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com saudades de aportar
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submarino encoberto cansado de guerrear
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veleiro sem vela nem mastro à espera da preia-mar
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jangada de pedra vestida de ouriço e lapa
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plataforma intergaláctica
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poiso de rei das gaivotas
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leito de sereia vaidosa
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chamariz de homens incautos
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de poetas
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de estrelas
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do mar
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a que vem?
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a coisa nenhuma
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estamos
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porque queremos estar!
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hoje, o poeta saltou da janela de comentários...
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Fts: Walter
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08/06/2011

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A Tempestade do Destino
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Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia
que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a
tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção,
mas a tempestade persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece
uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a
morte ao amanhecer. Porquê?
Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada,
sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo
que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar,
mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos
para não deixar entrar a areia e, passo a passo,
atravessá-la de uma ponta a outra. Aqui não há lugar para o sol
nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas
que não fazem sentido. Existe apenas a areia branca e fina, como
ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. É uma tempestade
de areia assim que deves imaginar.
(...)E não há maneira de escapar à violência da tempestade, a
essa tempestade metafísica, simbólica. Não te iludas: por mais metafísica
e simbólica que seja, rasgar-te-á a carne como mil navalhas de barba.
O sangue de muita gente correrá, e o teu juntamente com ele. Um sangue
vermelho, quente. Ficarás com as mãos cheias de sangue,
do teu sangue e do sangue dos outros.
E quando a tempestade tiver passado, mal te lembrarás de ter conseguido
atravessá-la, de ter conseguido sobreviver. Nem sequer terás a certeza
de a tormenta ter realmente chegado ao fim.
Mas uma coisa é certa. Quando saíres da tempestade já
não serás a mesma pessoa.
Só assim as tempestades fazem sentido.
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Haruki Murakami, in " Kafka à Beira-Mar"
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Fts: Walter
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29/05/2011

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" Se a nossa vida é provisória, que seja linda e louca a nossa história, pois o valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
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Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."
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Fernando Pessoa
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" E a minha alma alegra-se com o seu sorriso, um sorriso amplo e humano,
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como um aplauso de uma multidão"
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Fernando Pessoa
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Fts: Walter
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À incomparável Reganilda - um sorriso do tamanho do mundo
e que hoje me encantou
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Obrigado, Rega!
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