05/03/2010

poema inclinado

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quero
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um poema ondulado
vertiginosamente inclinado
bordado de mar sol e lua
que seja chão
tapete de afagos
cama onde me deite
um poema que me sustente
em verticalidade permanente
no horizonte para onde vou
um poema ondulado de beijos
em noite quente que me assombre
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quero
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as lágrimas caídas
travadas por dedos alheios
em dia de sol que se acinzente
um canteiro de rosas
desabrochando no peito
um coração rubro de alegria
dançando as horas do dia
e a alma prosseguindo no tempo
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quero
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na vertigem da subida
num risco não ausente
a vida toda num segundo
na inclinação do poema
um escudo que me proteja
duas mãos em forma de concha
no beiral do poema
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Walter
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fotos: Walter
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19/02/2010

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O mar já te canta
poesia quente Taprobana
na espera que é ânsia
de fulgor novo
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No céu as gaivotas
traçam a rota segura
Lusíadas as caravelas
destemido o poeta
no versejar da tormenta
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Na íris dos olhos teus
flores de lótus
riqueza que a alma proclama
na mente a oração
a mão que te guia
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Na pérola que é terra
lágrima que a Índia chorou
reclamado é o teu beijo
gloriosa jornada a tua
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Walter
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Boa viagem querido amigo
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Até já...!
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Cada virtude
apenas requer um homem;
a amizade requer dois.
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La Bryère
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Fotos: Walter
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Sesimbra, 17 de Fevereiro de 2010
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09/02/2010

Pernambuco

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Pernambuco - acrílico s/tela - autor: Walter
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O cordel Estradeiro
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A bença Manoel Chudu
O meu cordel estradeiro
Vem lhe pedir permissão
Pra se tornar verdadeiro
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Pra se tornar mensageiro
Da força do seu trovão
E as asas da tanajura
Fazer voar o sertão
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Meu moxotó coroado
De xiquexique e facheiro
Onde a cascavel cochila
Na boca do cangaceiro
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Eu também sou cangaceiro
E o meu cordel estradeiro
É cascavel poderosa
É chuva que cai maneira
Aguando a terra quente
Erguendo um véu de poeira
Deixando a tarde cheirosa
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É planta que cobre o chão
Na primeira trovoada
A noite que desce fria
Depois da tarde molhada
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É seca desesperada
Rasgando o bucho do chão
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É inverno e é verão
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É canção de lavadeira
Peixeira de Lampião
As luzes do vaga-lume
Alpendre de casarão
A cuia do velho cego
Terreiro de amarração
O ramo da rezadeira
O banzo de fim de feira
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Vocês que estão no palácio
Venham ouvir meu pobre pinho
Não tem o cheiro do vinho
Das uvas frescas de Lácio
Mas tem a cor de Inácio
Da serra da Catingueira
Um contador de primeira
Que nunca foi numa escola
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Pois meu verso é feito a foice
Do cassaco cortar cana
Sendo de cima pra baixo
Tanto corta como espana
Sendo de baixo pra cima
Voa do cabo e se dana
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in
texto: Lirinha - Cordel do Fogo Encantado
(genial e carismática banda da cidade Pernambucana de Arco Verde - Brasil)
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Caros amigos:
Por alguns dias deixo este meu sertão da amizade
os necessários para um merecido descanso
retemperar forças por vezes é necessário
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Se for possível passarei para comentar os vossos posts
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Obrigado
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Até já...!
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02/02/2010

minha alma em construção

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D
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s
c
o
n
s
t
r
u
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a minha carne
para que a alma possa crescer
e
revelar-se mais ainda
por entre espinhos e flores
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Texto e fotos: Walter
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24/01/2010

A história de uma laranjeira...

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Era um menino franzino, traquinas, às vezes meigo, que na aldeia onde vivia, tinha em seu quintal o mundo inteiro: um profundo mar nas águas de um poço; nas árvores de fruto uma floresta de sonho... e por ali se ia perdendo em prodigiosas aventuras e devaneios...
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Certo dia, acerca-se de uma ideia: fazer um arraial com bandeirinhas coloridas de papel de seda.
Se melhor o pensou, melhor o executou, e decidido, assalta o seu próprio mealheiro... para tão arrojado e ambicioso projecto era preciso dinheiro.
Já munido do material, e na cabeça a despesa a atormentar-lhe o juízo, deu inicio à feitura do arraial: desenrola o cordel de sisal, onde as bandeirinhas seriam penduradas. Ata-o à primeira árvore, aquela do fundo que dava sombra à esquina do seu mundo, depois liga à segunda, um pessegueiro moço tão franzino quanto ele, depois à terceira... até que à última chegou. Repara então, que um bom pedaço de cordel lhe havia sobrado e pensou: «falta-me uma árvore... é um desperdício, ter que atar o resto a uma já enfeitada...».
Seu pai que o observava escondido, aproximando-se dele, e com um sorriso maroto, pergunta: «queres uma laranjeira? Aqui ainda não tens nenhuma...!».
No dia seguinte, os dois cavaram um buraco e ali plantaram um pé de laranjeira, ajeitaram a terra ao fino tronco, regaram com água do poço, e depois foi só atar o restante cordel delicadamente à volta da sua cintura, escolhendo a parte mais forte, a que ficava junto à terra. Ficaram as bandeirinhas na última etapa a descer, como se a festa viesse do céu...
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Os anos foram passando, a laranjeira foi crescendo, o menino se fez homem... mas estranhamente, a laranjeira teimava em não produzir laranjas que se vissem. Eram poucas, muito poucas, pequenas como bugalhos e azedas como fel. Interrogavam-se todos, de que mal, esta padecia?
Cansada desta situação, por laranjas não ver, a mãe do menino, (agora já homem), que era mulher de muitas ganas e batalhas travadas, arma-se de uma vara comprida e zás... açoita a pobrezinha, quebrando-lhe boa parte dos seus galhos, deixando-a nua de folhas... triste que metia dó.
O seu filho que a tudo assistia, incrédulo e chocado, lhe pergunta: «mãe... porque o faz?» - responde-lhe ela - ainda arfando pelo cansaço do bater: «contra a preguiça, não há nada como umas boas pauladas, no próximo vais ver... vai dar laranjas pelos anos que não deu...!».
E assim foi... tantas e grandes eram as laranjas, tão doces como mel... e foram muitos os anos a vergar pelo peso da produção.
Nas noites de luar, era bonito ficar ali pertinho dela, inalando o seu perfume, olhando o brilho dourado dos seus frutos...
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Hoje, a laranjeira já não existe, e por ter sido triste o seu fim, aqui já não tem caber, termina assim esta história, onde eu era o menino... e se alguma lição houver a reter, diz-me tu meu amigo, que a acabas de ler...!
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texto e fotos: Walter
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Ao meu pai, plantador de laranjais, em quintal mais amplo, para regalo dos anjos - (1934-2005)
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