12/12/2009

Árvores de Natal que o Outono enfeitou...

*
Por ti esperei em Setembro... e recordo, que junto às margens do rio Lis te encontrei, de mangas arregaçadas, trabalhando caprichosamente no dourar da natureza...
Lembro o teu sorriso, o teu olhar de avelã subtilmente envergonhado, cintilando de luz dourada quando o meu sorriso procuravas...
Não julgues que esqueci... aquela brisa fresca que aos altos plátanos sopraste... só para dourares o meu caminho com um bonito tapete de pétalas... e feliz o pisei.
Dia-após-dia, por ti fui passando... embriagado pelo teu colorir constante, pelo cheiro das castanhas, assadas pelas brasas que ias soprando...
Muitos foram os beijos trocados nos teus mais escondidos e dourados recantos, com juras de amor eterno soletradas, e que aos teus ouvidos foram confiadas... e tantos os romances lidos e sonhados à sombra do teu doce e morno aconchego.
Mas... o Natal é chegado, apressas-te em partir... e como presente dado, em melancólica despedida, sacodes teu capote... soltando o ouro mais fino que tinhas guardado: o teu último lampejo de luz, derramado em cada árvore como enfeite de Natal.
Partes... despido das cores com que vestiste estes meus dias, vazio de felicidade deixada em mim... fica a saudade espalhada no chão se desfazendo...
Voltarás... sempre voltarás...!
Abre-se agora uma noite estrelada e fria... já dorme o Menino seu sono... regozijam-se os Anjos lá no céu, e cá na Terra canta Sua Mãe uma linda balada de Outono.
.
*
A vocês amigos Seguidores, dedico este post, agradecendo todo o carinho dispensado. Presenteio-vos com estas "Árvores de Natal", as mais belas que por aqui encontrei... na minha cidade de Leiria, devidamente enfeitadas, (não por mim), mas pela magia do Outono.
.
Aos seguidores, amigos e visitantes do meu blog, deixo o meu abraço, com os votos de um Natal pleno de Páz e Harmonia.
.
*
Texto e fotografia: Walter
.
*

05/12/2009

Para uma alma portuguesa... os azulejos da minha cidade de Leiria - (Portugal)

.
***
São azulejos da minha cidade... estendidos como tapetes coloridos na verticalidade de belas casas.
São pele que veste... as robustas paredes seculares, conferindo-lhes nobreza, e identidade...poesia estampada no rosto de cada lar.
São quadrados de arte, elos que se ligam e interligam em harmoniosa sinfonia de cores, formando um padrão.
Beleza rústica, autêntica, reveladora da criação... da Alma Portuguesa.
.
***
.
Texto e fotografia: Walter
.
*
.
***
À amiga Rufina, do blog (Alegria de Viver), residente no Rio de Janeiro, dedico este post, como presente de Natal.
.
Que através de uma das mais genuínas e tradicionais artes portuguesas, se sinta neste Natal, mais próxima da terra que a viu nascer - a sua Amada Pátria Portuguesa.
.
**
.

28/11/2009

Fonte Luminosa - Lenda do rio Lis e Lena - Leiria - Portugal

.

*****

. Fonte Luminosa de Leiria - O Lis e o Lena

. *

Reza a lenda, que o rio Lis e o seu afluente rio Lena, se perderam de amores, e que um dia... à saída da cidade, onde os dois se juntam, celebraram casamento para unirem seu amor... num só rio.

. *

Para eternizar este amor, da mais conhecida e popular lenda da cidade, Leiria inaugura a 22 de Maio de 1973, a sua Fonte Luminosa, donde ressalta um conjunto escultórico com traços helenísticos da autoria do Mestre escultor Lagoa Henriques, alusivo à fertilidade das terras Leirienses, ao bucolismo pastoril de tempos antigos, e do romançoso descanso à sombra dos arvoredos que ladeiam as margens destes dois rios - a sintetização de um amor devoto... pela terra que os viu nascer...

*

Texto e fotografia: Walter

*****

.

.
.
Lenda do rio Lis e Lena
.
.
Nasceu o rio Lis junto a uma serra
No mesmo dia em que nasceu o Lena;
Mas com muita Paixão, muita Pena
De seu berço não ser na mesma Terra
.
.
Andando, andando alegres, murmurantes,
Na mesma direcção ambos corriam;
Neles bebendo, as aves chilreantes
Cantavam esse amor que ambos sentiam
.
.
Um dia já espigados, já crescidos
Contrataram casar, de amor perdidos
Num domingo, em Leiria de mansinho...
.
.
Mas Lena, assim a modo envergonhada
Do povo, foi casar toda enfeitada
Com o Lis mais abaixo um bocadinho
.
.
MARQUES DA CRUZ
1888 - 1954
.
.

22/11/2009

Uma terra nua, fria e crua... inventada por mim... (?)

Acrílico s/tela - Título: Uma terra nua, fria e crua... inventada por mim... (?) - Autor: Walter
-
-
Outrora uma terra farta... embalada pelo canto dos pássaros e das águas cristalinas...
Havia risos de crianças - ecos de vida - voando por entre os arvoredos...
Tantas eram as almas povoando aqueles dias... felizes como o rio que ali corria...
Muito era o leite materno multiplicando a vida...
Nos seus montes, o mel que das colmeias escorria, a terra alimentava, tornando-a mais doce... seiva dourada, sangue pulsante de vida...
Mas... certo dia, de mansinho, a ganância aqui se fez representar, toda vestida a jeito... ardilmente disfarçada de largos e bondosos sorrisos, e mil promessas aqui deixou...
E enquanto a terra adormecia, sonhando sonhos nunca antes sonhados, sobre o travesseiro da inocência... a terra era esventrada, e dela sugada toda a água - o néctar da vida.
Para lá dos longínquos horizontes a levaram, com a pressa necessária à engorda de outros caudais - felizes eram agora, outras distantes sociedades... modernas.
Acordam as almas desta terra... que traídas se vendo, em desalento foram partindo envergonhadas... e outras, as mais cansadas, na solidão de quatro paredes ficaram resguardadas, desdobrando-se em rogadas preces e penitências... com olhares clementes postos, na sobranceira ermida, onde a Santa habitava.
E lentamente a terra foi definhando, mostrando toda a sua desolada e cáustica nudez.
Nesta terra... nua, fria e crua, onde todo o leite materno já secou, apenas o silêncio e uma perturbadora pálida luz a vestem...
-
*
Talvez um dia aqui volte... a esta terra magoada, com uma paleta de vibrantes verdes de esperança, e oceânicos azuis... para encher de cor esta tela, onde a vida já não está desenhada...
-
*
Texto e fotografia: Walter
-
*