30/07/2010

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Os Instantes Superiores da Alma
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Os instantes Superiores da Alma
Acontecem-lhe - na solidão -
Quando o amigo - e a ocasião Terrena
Se retiram para muito longe -
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Ou quando - Ela Própria - subiu
A um plano tão alto
Para Reconhecer menos
Do que a sua Omnipotência -
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Essa Abolição Mortal
É rara - mas tão bela
Como aparição - sujeita
A um Ar Absoluto -
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Revelação da Eternidade
Aos seus favoritos - bem poucos -
A Gigantesca substância
Da Imortalidade
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Emily Dickinson, in "Poemas e Cartas"
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fts: Walter
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24/07/2010

No Porto... um encontro feliz

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Onde quer que nos encontremos,
são os nossos amigos
que constituem o nosso
mundo.
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William James
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...porque há momentos únicos,
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por tal
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verdadeiramente inesquecíveis...
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guardarei para sempre no coração
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este dia
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obrigada Branca
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pelo prazer do encontro
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Porto 24 de Julho de 2010
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Fts: Walter
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18/07/2010

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Homens do mar
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Músculos de aço! Corpos bronzeados
tal qual estátuas fortes, esculpidas
em convulsões de génio, renascidas
na glória de talentos consagrados!
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Beleza de atítudes; esforçados
no todo, no conjunto, definidas
pelo cinzel que arranca sempre vidas
à vida semi-morta dos Passados.
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Ei-los, ali! Enconstam-se frementes,
ao barco - que é preciso ir já vará-lo,
em antes que o mar volte a arrastá-lo!
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Vinde, pintores, vinde, refulgentes!
Olhai que belo quadro por criar!
As 'státuas são agora homens do mar!
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Odette de Saint-Maurice
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Sesimbra, 1940
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Aos homens do mar
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que humildemente responderam ao meu olhar
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fts: Walter
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Sesimbra
Julho de 2010
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15/07/2010

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Um dia gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.
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O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nossos membros lassos
A leve rapidez dos animais.
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Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala.
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Shofia de Mello Breyner Andresen
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fts: Walter
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Sesimbra
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Julho de 2010
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26/06/2010

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Navio que Partes para Longe
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Navio que partes para longe,
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Por que é que, ao contrário dos outros,
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Não fico, depois de desapareceres, com saudades de ti?
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Porque quando te não vejo, deixaste de existir.
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E se se tem saudades do que não existe,
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Sinto-a em relação a cousa nenhuma;
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Não é do navio, é de nós, que sentimos saudade.
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Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
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Vou então... matar saudades de mim!
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Um terno e saudoso abraço a todos os seguidores, amigos e visitantes.
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Sim... voltarei!
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:)
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Fts: Walter
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18/06/2010

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Pastorale
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Rasgo as árvores para perceber
como foi
antes das vogais e
regresso a casa.
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Tenho um rebanho de palavras à minha espera
Conheço-as bem
como o cajado onde me encosto enquanto
penso
cubro os ombros de sol e
fico-me de longe a olhar o rebanho.
As palavras correm livres pelo pasto
É com as mãos que eu as chamo
e elas vêm submissas
É com as mãos que as afasto
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«Vão-se embora palavras»
Magoadas, adormecem depois.
Se uma está acordada
eu ponho-a no meu colo
e fico ali
sentada a embalá-la.
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Alguém lavra, ao longe, um campo de palavras
e o arado estremece a cada consoante
E passo assim
a tarde toda a dobar-lhes os fios
cantando
enquanto dobo
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Aos dia ímpares
Vem uma feiticeira e rouba-me o rebanho
para fazer rezas e ladainhas
- eu finjo que não vejo.
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Por vezes
as palavras aproximam-se demais umas das
outras
e o vento chega e
põe reticências nas frases.
E é então que o rebanho estremece.
Eu levanto o cajado
e fico a desenhar lírios e urze brava
e o pasto
é agora o grande sonho que alimenta as
palavras.
Uma palavra emigrante
Vem súbita e descalça
desfazer-se em sentidos para me convencer
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E eu digo
Vem-me cá, oh palavra!
de que estrada chegaste?
quantas bocas te disseram?
quem te chorou, palavra?
quem te deixou partir, sózinha e frágil?
Ela prende-se a mim
e suga-me no peito as desgastadas fomes
inclinada
cai depois num fio de leite
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Faz-se um parágrafo na tarde enfraquecida
e eu chamo o rebanho
que caminha agora em rima emparelhada
Sigo as passadas bíblicas
com o cordeiro
a baloiçar-se às costas
e é um livro que entra pelo quintal.
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O título é a palavra adormecida
As aves que se recolhem ao silêncio da noite
são a pontuação
e os acentos agudo e grave
são os meus dedos com que, agora, abenço-o
o rebanho.
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Um deus vem
e assina com tinta invísivel
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Eu ponho-me ao postigo
em silêncio
a ouvir o poema.
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" Do Tempo e do Silêncio", Teresa Alvarez
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Grato a quem nas minhas mãos deixou este rebanho de palavras.
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Fts: Walter
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11/06/2010

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fts: Walter
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