09/01/2010

Soubera eu ser as águas de um rio...

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Em tão insana e desvairada demanda, vai galopando o mundo... segregando e não unindo, que outra coisa, por vezes, eu haveria de ser...
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Soubera eu ser as águas de um rio... que na contra-curva se enrola em espirais de bruma, e na largura que se lhe acrescenta desenrola, para adormecer junto ao cais...
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Soubera eu ser... aquele, que tapetes de musgo rega, colono de quem sobe as arribas do céu...
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Soubera eu ser... espelho d'água, que na queda se quebra, e mais abaixo se refaz, para a nora fazer girar...
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Soubera eu ser... estrada de pescadores - imenso caudal de vida - que se estende alarga e encolhe, da nascente até à foz... para o mar abraçar, onde a liberdade é ainda maior...
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Soubera eu ser as águas de um rio... só para tentar perceber, se afinal, verdadeiramente livre sou... ou não!?
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Texto e fotos: Walter
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Ao rio Lis, tantas vezes maltratado, pela insanidade daqueles, que por natural obrigação, deveriam respeitar e preservar.
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03/01/2010

Sopros de luar, sopros de fantasia...

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Título: Tem lugar para mim...? (óleo s/tela) - Autor: Walter
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Em criança, era tão mais fácil de alcançar a misteriosa e sedutora lua, que pairava gorda e reluzente no céu, a tão curta distância da minha imaginação...
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Nela habitavam todas as minhas fantasias: um estranho e encantado mundo de silêncio, mistério e brancura, que eu percorria com o olhar extasiado, nas minhas noites de vadiagem por campos abertos de claridade, onde todos os meus medos se dissolviam a cada sopro de luar, da protectora mãe da noite...
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. . . . . . . . . Título: Fantasias da lua (guache s/papel) - Autor: Walter
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A lua não é tão estéril assim...
Ela é ventre materno fecundando a luz com que o sol a abraçou, para depois de cheia, parir a claridade, que há-de iluminar as fantasias e os sonhos de cada um...
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Walter

26/12/2009

Alvorada

Barosa - Leiria
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O galo já cantou sua primorosa cantoria.
A noite já dormiu seu sono... acorda fria, pingada de orvalho, e pela ténue luz da estrela nascente, que do horizonte já desponta, todo o seu negrume brandamente se desfaz...
A estrela ainda pequenina, vai subindo e espreitando por entre assombrosos castelos e catedrais de marfim que há no céu.
Gloriosa e resplandecente vai engordando de luz...
Sobe imponente no firmamento... e esticando seus braços de oiro, vai rompendo as cortinas de brumas e névoas que a noite em sonhos teceu.
Caprichosamente semeia canteiros de claridade... toda a natureza se agita, numa orquestra de chilreios e murmúrios, dançando as agulhas dos pinheiros, pelo peso que já as habita.
Correm as águas das ribeiras mais felizes mais bonitas, que a sede há-de chegar com o bater do meio-dia.
Toca o sino na igreja... despertam as almas uma-a-uma - a primeira o pastor - de cajado na mão, lá vai entre balidos, chocalhos e assobios serra acima, guiando seu rebanho de novelos de lã quentinha...
É a alvorada que chega, trazendo um novo dia...
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Texto e fotografia: Walter
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12/12/2009

Árvores de Natal que o Outono enfeitou...

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Por ti esperei em Setembro... e recordo, que junto às margens do rio Lis te encontrei, de mangas arregaçadas, trabalhando caprichosamente no dourar da natureza...
Lembro o teu sorriso, o teu olhar de avelã subtilmente envergonhado, cintilando de luz dourada quando o meu sorriso procuravas...
Não julgues que esqueci... aquela brisa fresca que aos altos plátanos sopraste... só para dourares o meu caminho com um bonito tapete de pétalas... e feliz o pisei.
Dia-após-dia, por ti fui passando... embriagado pelo teu colorir constante, pelo cheiro das castanhas, assadas pelas brasas que ias soprando...
Muitos foram os beijos trocados nos teus mais escondidos e dourados recantos, com juras de amor eterno soletradas, e que aos teus ouvidos foram confiadas... e tantos os romances lidos e sonhados à sombra do teu doce e morno aconchego.
Mas... o Natal é chegado, apressas-te em partir... e como presente dado, em melancólica despedida, sacodes teu capote... soltando o ouro mais fino que tinhas guardado: o teu último lampejo de luz, derramado em cada árvore como enfeite de Natal.
Partes... despido das cores com que vestiste estes meus dias, vazio de felicidade deixada em mim... fica a saudade espalhada no chão se desfazendo...
Voltarás... sempre voltarás...!
Abre-se agora uma noite estrelada e fria... já dorme o Menino seu sono... regozijam-se os Anjos lá no céu, e cá na Terra canta Sua Mãe uma linda balada de Outono.
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A vocês amigos Seguidores, dedico este post, agradecendo todo o carinho dispensado. Presenteio-vos com estas "Árvores de Natal", as mais belas que por aqui encontrei... na minha cidade de Leiria, devidamente enfeitadas, (não por mim), mas pela magia do Outono.
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Aos seguidores, amigos e visitantes do meu blog, deixo o meu abraço, com os votos de um Natal pleno de Páz e Harmonia.
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Texto e fotografia: Walter
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