05/12/2009

Para uma alma portuguesa... os azulejos da minha cidade de Leiria - (Portugal)

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São azulejos da minha cidade... estendidos como tapetes coloridos na verticalidade de belas casas.
São pele que veste... as robustas paredes seculares, conferindo-lhes nobreza, e identidade...poesia estampada no rosto de cada lar.
São quadrados de arte, elos que se ligam e interligam em harmoniosa sinfonia de cores, formando um padrão.
Beleza rústica, autêntica, reveladora da criação... da Alma Portuguesa.
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Texto e fotografia: Walter
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À amiga Rufina, do blog (Alegria de Viver), residente no Rio de Janeiro, dedico este post, como presente de Natal.
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Que através de uma das mais genuínas e tradicionais artes portuguesas, se sinta neste Natal, mais próxima da terra que a viu nascer - a sua Amada Pátria Portuguesa.
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28/11/2009

Fonte Luminosa - Lenda do rio Lis e Lena - Leiria - Portugal

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. Fonte Luminosa de Leiria - O Lis e o Lena

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Reza a lenda, que o rio Lis e o seu afluente rio Lena, se perderam de amores, e que um dia... à saída da cidade, onde os dois se juntam, celebraram casamento para unirem seu amor... num só rio.

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Para eternizar este amor, da mais conhecida e popular lenda da cidade, Leiria inaugura a 22 de Maio de 1973, a sua Fonte Luminosa, donde ressalta um conjunto escultórico com traços helenísticos da autoria do Mestre escultor Lagoa Henriques, alusivo à fertilidade das terras Leirienses, ao bucolismo pastoril de tempos antigos, e do romançoso descanso à sombra dos arvoredos que ladeiam as margens destes dois rios - a sintetização de um amor devoto... pela terra que os viu nascer...

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Texto e fotografia: Walter

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Lenda do rio Lis e Lena
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Nasceu o rio Lis junto a uma serra
No mesmo dia em que nasceu o Lena;
Mas com muita Paixão, muita Pena
De seu berço não ser na mesma Terra
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Andando, andando alegres, murmurantes,
Na mesma direcção ambos corriam;
Neles bebendo, as aves chilreantes
Cantavam esse amor que ambos sentiam
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Um dia já espigados, já crescidos
Contrataram casar, de amor perdidos
Num domingo, em Leiria de mansinho...
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Mas Lena, assim a modo envergonhada
Do povo, foi casar toda enfeitada
Com o Lis mais abaixo um bocadinho
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MARQUES DA CRUZ
1888 - 1954
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22/11/2009

Uma terra nua, fria e crua... inventada por mim... (?)

Acrílico s/tela - Título: Uma terra nua, fria e crua... inventada por mim... (?) - Autor: Walter
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Outrora uma terra farta... embalada pelo canto dos pássaros e das águas cristalinas...
Havia risos de crianças - ecos de vida - voando por entre os arvoredos...
Tantas eram as almas povoando aqueles dias... felizes como o rio que ali corria...
Muito era o leite materno multiplicando a vida...
Nos seus montes, o mel que das colmeias escorria, a terra alimentava, tornando-a mais doce... seiva dourada, sangue pulsante de vida...
Mas... certo dia, de mansinho, a ganância aqui se fez representar, toda vestida a jeito... ardilmente disfarçada de largos e bondosos sorrisos, e mil promessas aqui deixou...
E enquanto a terra adormecia, sonhando sonhos nunca antes sonhados, sobre o travesseiro da inocência... a terra era esventrada, e dela sugada toda a água - o néctar da vida.
Para lá dos longínquos horizontes a levaram, com a pressa necessária à engorda de outros caudais - felizes eram agora, outras distantes sociedades... modernas.
Acordam as almas desta terra... que traídas se vendo, em desalento foram partindo envergonhadas... e outras, as mais cansadas, na solidão de quatro paredes ficaram resguardadas, desdobrando-se em rogadas preces e penitências... com olhares clementes postos, na sobranceira ermida, onde a Santa habitava.
E lentamente a terra foi definhando, mostrando toda a sua desolada e cáustica nudez.
Nesta terra... nua, fria e crua, onde todo o leite materno já secou, apenas o silêncio e uma perturbadora pálida luz a vestem...
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Talvez um dia aqui volte... a esta terra magoada, com uma paleta de vibrantes verdes de esperança, e oceânicos azuis... para encher de cor esta tela, onde a vida já não está desenhada...
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Texto e fotografia: Walter
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15/11/2009

Há tanta vida neste cais...! ( Sesimbra - Portugal )

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Quando a noite já for alta, acesa pelas candeias do céu, e o mar um lençol de prata... vão os barcos em procissão, com o Senhor Jesus das chagas na frente, rasgando as águas do sustento...
Muito mar haverá para vencer, muitos braços hão-de doer... e em terra, todos os Santos serão chamados, todas as esperanças ao mar serão lançadas...
Por agora, sob o sol dourado, descansam estes barcos guerreiros no cais... lado a lado com outros irmãos, que já vencidos, de ossos quebrados, de tantas lutas ao mar travadas, a este não tornarão...
Mais logo, quando a noite já for alta, rudes homens em seus barcos entrarão... em cada proa a Cruz de Cristo, em cada convés os nomes inscritos, daqueles que os hão-de proteger...
Em terra são esperança que não morre, no mar-alto, com braços de ferro, são lavradores cavando o oceano do sustento...
E quando a terra tornarem, de porões cheios de trigo maduro, explodirá este cais feito celeiro, em salgados pregões jorrados de vida...
Há tanta vida neste cais...!
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. Texto e fotografia: Walter . .